quinta-feira, 6 de março de 2014

JOSÉ SAMPAIO: “O Poeta dos Humildes”.


Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com

Fonte da foto: http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=46328

Biografia

José de Aguair Sampaio nasceu na Vila do Carmo (Carmópolis) a 02 de maio de 1913. Filho de Gaspar Leite Sampaio e de Dona Honorina de Aguiar Sampaio. Anos depois fora morar em Riachuelo com a família, passando a trabalhar na empresa de tecidos dos seus tios, Aguiar & Irmãos, época em que o poeta contribuiu em pequenos jornais daquela cidade, escrevendo seus primeiros poemas.

No período de 1932 a 1934, José Sampaio fora viver no município de Capela, exercendo ainda as atividades profissionais no comércio dos seus tios.

Em 1934, José Sampaio foi morar na capital sergipana, e lá fez amizade com a geração de jornalistas e intelectuais que contribuíam nos meios culturais e artísticos, e rodas literárias. Tratava-se da época em que ele teve uma vida boêmia, frequentando bares e cabarés. Participa de jornais estudantis, pondo sua poesia a serviço das causas sociais, liderando os jovens intelectuais sergipanos e estudantes que combatiam a ditadura do Estado Novo, o Integralismo, e a censura dos meios de comunicação.

Os jornais aracajuanos e as revistas deram espaço para a publicação dos poemas de José Sampaio, considerando-o “O Poeta dos Humildes”. Sua poesia contém a liberdade com relação à forma tradicional, produzida em linguagem coloquial. Trata-se de textos engajados nas questões sociais, mostrando uma preocupação com o povo, as desigualdades, a miséria, a decadência, e o vício. Caracterizada por uma reafirmação do mundo como imagem com profundo sentimento humano e angústias da alma.

Em 1938, José Sampaio colaborou na Seiva, revista baiana ligada ao Partido Comunista.

José Sampaio casou com a poetisa Jaci Conde Dias, de Itaporanga D’Ajuda, com quem teve dois filhos e eles se mudaram em fins dos anos de 1940 para Feira de Santana (BA), assumindo um armarinho que comprara. Anos depois, o poeta contraíra um câncer, indo à procura de tratamento no Rio de Janeiro e em São Paulo. Não resistindo à doença, o “Poeta dos Humildes” morrera no dia 3 de abril de 1956, sendo sepultado no Cemitério de Santa Isabel. Sua obra fora publicada em livros postumamente.

OBRAS:

* Nós Acendemos a Nossas Estrelas [Movimento Cultural de Sergipe, 1954]

* Obras Completas de José Sampaio [Livraria Regina / Movimento Cultural de Sergipe, 1956]

* Esparsos e Inéditos de José Sampaio [Nova Editora de Sergipe, 1967]

* Poesia & Prosa [Sociedade Editorial de Sergipe, 1992]


A revolução das ruínas

O rumor que veio desta lembrança
amedrontou meu silêncio.
No meu modo de ver, pelo menos agora,
as ruínas se revoltaram debaixo dos edifícios novos.
São lembranças estranhas
de tudo que ficou debaixo do mais forte.
Há um sofrimento infinito nestes seres pisados,
mas não há choro nesse clamor subterrâneo.
As grandes dores
geram a alegria trágica do ódio.
É a decadência querendo levantar-se
para ressuscitar
na glória de suas causas de palha,
na felicidade dos seus homens brutos
e na alegria de sua antiga liberdade.
Geração que foi enterrada
querendo romper o túmulo dos arranha-céus
para apagar
todas as luzes da civilização.
A luta rasteirado que caiu
para nunca mais levantar.
Revolução infeliz,
tão infeliz que não morre
para viver das derrotas.
Luta impossível
contra o indiferentismo do tempo
e a ironia espontânea do progresso.
Meu pensamento, agora,
é a lembrança estranha
deste profundo anseio de liberdade
que estremece a cova das ruínas.

[1936]

Canto

Se todos ficarem contra mim
eu continuarei amando a poesia e a beleza.

Se todos me abandonarem
eu direi que são puras as mulheres perdidas dos becos

Podem todos ferir-me:
- eu direi que são claros os olhos das crianças negras.

Podem todos ferir-me.
Como poderei dizer que não amo a claridade da aurora?

[1939]


REFERÊNCAIS:

A POESIA DE JOSÉ SAMPAIO. Disponível em:

José Sampaio - O poeta dos humildes. Disponível em: <http://www.infonet.com.br/luisantoniobarreto/ler.asp?id=46328>. Acesso em: 06 de março de 2014.

SAMPAIO, José. Poesia e Prosa. Aracaju. Sociedade Editorial de Sergipe, 1992.



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