(Atualizado
em 11/03/24)
Por: Allan de
Oliveira.
Contatoallandeoliveira@gmail.com
BIOGRAFIA
Amando
Fontes nasceu em Santos (SP) no dia 15 de maio de 1899. É de família sergipana,
e chegou a Sergipe com cinco meses de idade quando seu pai falecera. Aos doze
anos revelou sua tendência para as letras e aos 18 ele já possuía um grande
conhecimento literário. Cultivou da prosa e da poesia, foi crítico literário,
destacando-se com seus “Romances Sociais” que mostram os problemas das classes
desprivilegiadas. Trabalhou como revisor de imposto, advogado, professor de
Língua Portuguesa e Deputado Federal do Estado de Sergipe por três vezes.
Frequentou a Roda Literária do Rio de Janeiro que ocorria em volta de Jackson
de Figueiredo, sendo influenciado por Garcia Rosa. E quando fora à Bahia
frequentou o grupo de Arthur de Sales e Carlos Chiachio.
Ao
escrever sua primeira obra, Os Corumbas
no ano de 1933, o Romance foi bem aceito pela crítica, chegando a ganhar o
“Prêmio Felipe de Oliveira de Literatura”, além de ter recebido muitos elogios
do escritor Mário de Andrade.
Amando
Fontes faleceu no dia 01 de dezembro de 1967.
Visão crítica
Amando
Fontes se influenciou por importantes escritores como Gustave Flaubert, Balzac,
Fiodor Dostoievski, Machado de Assis, Lima Barreto e outros importantes ícones
literários. Foi um autor que teve contato com as pessoas simples do povo e
presenciou o êxodo de retirantes do sertão para a cidade, bem como as condições
precárias dessas pessoas que enfrentavam a seca e a busca por uma vida melhor
nos grandes centros urbanos; bem como as más condições vitais que levaram essas
pessoas a falecerem, a se submeter à exploração das indústrias, e à
prostituição por parte de algumas mulheres. Assim, os seus personagens não
passam de pessoas simples e sofridas das camadas populares e marginalizados
pela sociedade.
As
suas obras fazem parte do Modernismo da década de 30 e elas ajudam a entender
de forma histórica a vida dos sergipanos no princípio do século XX. E sua
importância é notada também através de comentários sobre seus personagens em
importantes revistas brasileiras da sua época, comparada a de grandes ícones do
Modernismo brasileiro como Jorge Amado, José Lins do Rego, Raquel de Queiroz e
Graciliano Ramos, por ele ter cultivado do regionalismo de forma similar a desses
autores.
Em
seus Romances são retratados a cultura das pessoas nascidas em Aracaju / SE,
bem como cenas de fábricas e as “casas de luz vermelhas” (casas de prostituição).
A linguagem das obras contém simplicidade e isso é um fato comum nessa época
para que a linguagem escrita se assemelhe à fala cotidiana do povo.
“No
“Os Corumbas”, o cotidiano dos personagens é inspirado nas fábricas que
realmente existiriam em Aracaju, como também nas greves operárias, nas mortes
dentro das fábricas e nos abusos dos industriais. Em “Rua do Siriri”, a
narrativa começa com a indignação das prostitutas, pois tinham sido empurradas,
pelo governo do Estado, para a famosa zona do Siriri – um lugar que realmente
existiu”. (In: Jornal da Grande Aracaju – Amando Fontes e a sua contribuição
para a cultura sergipana).
Percebe-se
que em sua obra Os Corumbas há uma
luta do movimento proletário que se envolvera com as ideias comunistas para a
busca de condições melhores de trabalho.
Já
em Rua do Siriri há relatos sobre as
más condições de vida das mulheres que eram obrigadas a se prostituírem.
A
pretensão desse escritor era mostrar a vida de personagens de forma verdadeira
como a vida real mostra, colocando em pauta assuntos como a mediocridade humana
e suas ações negativas. É por isso que ele bebera da fonte do Realismo e do
Naturalismo para construir a sua literatura Moderna, e procura denunciar a
sociedade da época.
Através
destes pequenos comentários, nota-se que a obra de Amando Fontes, além de
literária, contém uma visão sociológica com relação às camadas populares, e se
aproxima do pensamento de grandes homens como Sílvio Romero, Manuel Bomfim,
Euclides da Cunha, entre outros ícones da literatura brasileira e universal.
OBRAS:
* Os Corumbas (1933)
* Rua do Siriri (1937)
Trecho do
capítulo 13 da segunda parte de Os Corumbas:
E como se aquilo tivesse sido um vaticínio,
logo na semana imediata a vida plácida do operariado sergipano estremeceu,
convulsionou-se de repente.
Proveio o desacordo de haverem as Fábricas
estabelecido o trabalho noturno, sem, entretanto, aumentar o preço dos
salários.
Ultimamente elas já não podiam vencer, apenas
com o serviço diurno, a enorme quantidade de encomendas que a cada instante
lhes chegavam. Resolveram, então, fazer serões e admitir gente nova para
organização de duas turmas: uma, que trabalharia das cinco e meia da manhã até
a tardinha; e outra, que entraria às seis da tarde para sair de madrugada.
A maioria dos trabalhadores recebeu essa
notícia com alegria. Era uma oportunidade que surgia de ganharem um pouco mais,
com as horas extraordinárias de serviço, ou empregando filhos e parentes nos
lugares que se acabavam de criar.
Mas, aqui e ali, foram-se ouvindo alguns
protestos. Tímidos, a princípio. Violentos e exaltados, logo empós.
Ao grupo de José Afonso coube dar o rebate e
sustentar a luta contra as Fábricas. Ou “o serviço noturno seria pago com a
bonificação de um terço sobre os salários do dia, ou ninguém se sujeitaria à
nova exploração”, foi o ultimato lançado pela Sociedade Proletária do Aracaju,
que passou a funcionar em sessão permanente, cheia de curiosos e prosélitos.
Não se arrecearam os patrões ante a ameaça.
Eles sabiam que havia muita miséria entre os humildes. As colheitas tinham sido
más por toda a parte. Do interior, todos os dias, chegavam famílias e famílias,
em busca de trabalho. Ganhariam a partida sem esforço. E declararam, então,
energicamente, “que iriam trabalhar durante a noite com o mesmo salário que
pagavam pelo dia. Os operários escalados que faltassem seriam sumariamente
despedidos”.
Trecho do capítulo IV de Rua
do Siriri:
Cheios de dificuldades e tropeços foram os
seus primeiros dias na Rua do Siriri.
Uns, em razão da maior distância, outros, por
não lhes conheceu ainda a nova moradia, o certo é que, durante duas a três
semanas, tiveram a visita de apenas quatro homens. O dinheiro para as
necessidades mais prementes chegou a escassear.
E foi aí que Mariana sugeriu:
- Querem saber de uma? Se a gente não fizer
como as outras, que vão pegar frete na rua, é melhor fechar a porta de uma vez.
Este lugar parece que tem urucubaca... Nem mesmo os que eram acostumados, nunca
mais botaram os pés em nossa casa...
- Eu, por mim – disse Esmeralda – estou por
tudo. Se for preciso sair por aí afora, mercando meu corpo aos gritos, como
moleque vendendo queimado pelas ruas, não tenham a menor dúvida que eu faço...
REFERÊNCIAS:
Biblioteca Digital da UNICAMP – Imagens do Povo: Política e literatura na obra de Amando Fontes. Por: Cleverton Barros de Lima. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000777805>. Acesso em: 09 de set. de 2013.
FONTES, Amando. Dois Romances – Os Corumbas / Rua do Siriri. Rio de Janeiro, Livraria José Olympio Editora, 1961.
Jornal da Grande Aracaju – Amando Fontes e a sua contribuição para a cultura sergipana. Disponível em: <http://www.grandearacaju.com.br/conteudo.ler.php?cat=17&id=5373>. Acesso em: 09 de set. de 2013.
Mandacaru Florido – Literatura Sergipana: Acervo sobre Amando Fontes montar loja de roupas. Disponível em: <http://joseanafonseca.blogspot.com.br/p/amando-fontes.html>. Acesso em: 09 de set. de 2013.