segunda-feira, 15 de julho de 2013

JOÃO RIBEIRO: “O primeiro historiador moderno do país”

Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com




João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes nasceu no município de Laranjeiras a 24 de junho de 1860. Foi jornalista, crítico literário, filólogo, historiador, pintor e tradutor brasileiro, e também membro da Academia Brasileira de Letras. Influenciou-se pelo poeta-romântico português Alexandre Herculano.

De acordo com especialistas em Literatura Sergipana, João Ribeiro é considerado o homem que alterou os rumos da historiografia tradicional no Brasil, considerado o primeiro historiador moderno do país por estudar o povo durante o percurso histórico, e não somente, sobre os governantes.

João Ribeiro perdeu o pai muito cedo, indo morar na casa do avô. Ao concluir os primeiros estudos em Laranjeiras, foi estudar no Atheneu Sergipense e concluíra os estudos secundários, indo depois para a Faculdade de Medicina de Salvador. Abandonou o Curso de Medicina e estudou na Escola Politécnica do Rio de Janeiro, dedicando-se, também aos estudos de arquitetura, pintura, música, literatura e, principalmente, filologia. A partir de 1881, esse sergipano se dedicou ao jornalismo, conhecendo importantes personalidades do ramo como Quintino Bocaiúva, José do Patrocínio e Alcindo Guanabara.

Sabe-se que foi Sílvio Romero quem divulgou seus poemas, a princípio, publicados em um artigo na Revista Brasileira e, posteriormente, em o Parnaso Sergipano.

João Ribeiro ensinou em colégios particulares bem como em colégios de renome como o Colégio Pedro II e a Escola Dramática do Distrito Federal, na época em que ele escrevia para o jornal A Semana, ao lado de Machado de Assis, e outros importantes intelectuais, onde publicou os artigos que, no futuro, tornaram-se a obra Estudos filológicos (1902).

Em 08 de agosto de 1898, João Ribeiro ocupou a cadeira de número 31 na Academia Brasileira de Letras, e em 1907, foi um dos principais promotores da reforma ortográfica.

Como poeta, sabe-se que a poesia de João Ribeiro contém tendências parnasianas. E como crítico literário é considerado tão importante quanto Sílvio Romero e José Veríssimo, e não é à toa que o poeta sergipano Hermes Fontes tenha ganhado certo reconhecimento através de João Ribeiro.

João Ribeiro faleceu no Rio de Janeiro em 13 de abril de 1934.


Obras:

·        Dicionário gramatical (1889)
·        História do Brasil (1901)
·        Versos (1890)
·        Estudos filológicos (1902)
·        Páginas de estética, ensaios (1905)
·        Frases feitas, filologia (1908)
·        Compêndio de história da literatura brasileira, história literária (1909)
·        O fabordão, filologia (1910)
·        Colmeia, ensaios (1923)
·        Cartas devolvidas (1926)
·        Curiosidades verbais, filologia (1927)
·        Floresta de exemplos, contos (1931)
·        Goethe (1932)
·        A língua nacional, filologia (1933)
·        Crítica (org. Múcio Leão)
·        Os modernos (1952)
·        Clássicos e românticos brasileiros (1952)
·        Poetas, Parnasianismo e Simbolismo (1957)
·        Autores de ficção (1959)


MUSEON

II

Helés, a formosíssima das gregas,
Róseo trecho de mármor sob escombros
Dum Panteon que as divindades cegas
Soterraram depois de tê-lo aos ombros,

Helés, um dia, sobre a praia chegas...
Inclinam-se extensíssimos os combros
E o vento alarga em frêmitos de assombros
Da túnica do mar as verdes pregas.

E tu reinas, tu só! Debalde, vagas
Sobre outras vagas se atropelam, correm,
Uma por uma, indiferente esmagas:

Como as paixões na tua vida ocorrem,
Uma e mais outra, nas desertas plagas
Chegam e morrem, e chegam e morrem.

IV

Este vaso quem fez, por certo fê-lo
Folhas de acanto e parras imitando.
É de ver-se a asa fosca o setestrelo
De saboroso cacho alevantando.

Que desejo viria de sorvê-lo
Os gomos todos um a um sugando,
Quando, contam, dos pássaros o bando
Do céu descia prestes a bebê-lo.

Examina este vaso. N'um momento
Crê-se vê-lo a voar, o movimento
D'asa soltando, como aéreo ninho...

Será verdade que este vaso voa
Ou porventura à mente me atordoa
Seu capitoso odor de antigo vinho?

VIII

Foi com esta maçã d' oiro polido
Que as ambições movendo de Atalanta,
Pôde Hipomenes alcançá-la. E quanta
Vitória a essa em tudo parecida!

Ao ideal aspira! à estrela aspira! à vida
Aspira ó nada, ó turba agonizante,
Ou chores quando a terra alegre cante
— Ou cantes quando a lágrima vertida

Desça-te à boca. E bastaria, apenas,
Para galgar essas regiões serenas,
A maçã de Hipomenes, flébil, louro ...

E chegarás ao ideal e à vida, O pomo
Áureo atirando à própria estrela, como
Lá chega a luz - por uma escada de ouro.

XI

Do mar e das espumas tu nasceste,
Ó forma ideal de rodas as belezas,
lnda teu corpo, mal vestindo-o, veste
Um colar de marítimas turquesas.

Milhares d'anos há que apareceste,
Outros milhares d'almas-sempre acesas
No teu amor, lá vão seguindo presas
Da rua garra olímpica e celeste.

Beijo-te a boca e sigo embevecido
Ondas sobre ondas, pelo mar afora,
Louco, arrastado qual os mais têm sido.

Ora te vendo as formas nuas, ora
Toda nua e sentir-te em meu ouvido
Do eterno som dos beijos meus sonora.


REFERÊNCIAS:

ROMERO, Sílvio. Parnaso Sergipano – Edição Comemorativa. Aracaju. Editora UFS, 2001.

João Batista Ribeiro de Andrade Fernandes – Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_Ribeiro_de_Andrade_Fernandes>. Acesso em 14 de jul. de 2013.

JOÃO RIBEIRO (1860-1934). Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/joao_ribeiro.html>. Acesso em 14 de jul. de 2013.


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