sábado, 1 de outubro de 2016

FATOS DO COTIDIANO NA LITERATURA CRISTÃ DE ANTONIO MENROD



Por: Allan de Oliveira



Recentemente o escritor sergipano Antonio Menrod que mora no Rio de Janeiro lançou duas obras, sendo elas concepções de uma imaginação e lições de missionariedade.

A obra concepções de uma imaginação está composta por duas peças teatrais, “O Novelista” e “Canções de Guerra”, mais a sinopse de uma novela televisiva chamada “Memória da Pele”. O cenário das histórias é o Rio de Janeiro. E esse livro foi premiado no concurso Prêmio Palavrador de Teatro.

A peça que abre o livro concepções de uma imaginação é um monólogo e conta sobre o novelista Abner Gouveia que por vinte anos trabalhou como roteirista colaborador e tem como sonho se tornar um roteirista titular de novelas da TV, e o cenário é a quitinete do próprio personagem com referência a personagens bíblicos (característica do próprio autor).

A história se inicia quando Abner Gouveia retornava do velório do titular de uma novela das 21h “Memória da Pele”, Rodney Câmara, e o primeiro recebe um telefonema com a notícia de que se tornará o titular por causa da morte do outro. O personagem central vê seu sonho se tornando realidade, mas, ele passa a se sentir culpado pela morte de Rodney Câmara por ter recorrido aos rituais de feitiçaria para concretizar o seu sonho. Para tanto, o personagem passa a se lamentar diante do quadro da falecida mãe.

Há toques de humor modernos presentes nessa primeira peça de O Novelista como vemos em seguida:

“ABNER GOUVEIA – (Após soltar a fumaça do charuto pela boca) Mamãe, já sei! É isso que farei para recompensar todo o seu sacrifício de puta, num lupanar de Copacabana, para que eu tivesse a melhor formação acadêmica. (...) É preciso que todos saibam que graças a buceta da minha mãe, eu cheguei ao horário nobre de televisão brasileira como autor titular de uma novela”. (MENROD, p. 29)

E também mais toques de humor são vistos nestes outros trechos:

           “Um bom autor de novela, no mínimo, ele tem que ser mother fucker. E eu sou, literalmente, um filho da puta. (Pausa) Porque não é para qualquer um grudar a bunda. (Pega a cadeira, a traz para o centro do palco e senta) Grudar a bunda mais de quinze horas por dia nesta cadeira e escrever quarenta laudas, todos os dias, quer chova ou faça sol. (...) Haja bunda! A bunda do novelista fica achatada... (...) e ainda por cima ter enorme sucesso de audiência, tem que ser boa “pra caralho”.”. (MENROD, p. 30 e seg.)

Ainda na peça O Novelista são encontradas palavras estrangeiras que dão elegância ao texto como: ma chérie, know-how, mise-em-scène, quelle mervcille, trending topics, s’il vous, high society, Darling... Bem como palavrões em inglês: shit, motherfucker, fucking great. Uma forma técnica de unir o clássico ao moderno.

A próxima peça, Canções de Guerra, se passa no ano de 1981 em fins da Ditadura Militar e conta sobre uma professora de música chamada Clarissa que ao sair do trabalho foi levada por agentes do DOI-CODI (Centro de Operações de Informações do Centro de Defesa Interna) para ser interrogada. O cenário é uma sala de interrogações e Clarissa é interrogada por um tenente-coronel que a interroga por ela ter usado em sala de aula músicas de Chico Buarque e de Caetano Veloso, músicas que foram consideradas em oposição ao Regime Militar, e também por ela ter feito o prefácio de um livro que foi censurado. A professora sofre tortura física e psicológica, e é estuprada, além de outras tragédias que ocorrem ao percurso da história. Um detalhe importante nessa peça é a metáfora que o autor criou com a gatinha da professora chamada Esperança como podemos ver neste trecho abaixo:

“PROFESSORA MAESTRINA CLARISSA – (Com Esperança nos braços) Esperança... Esperança... Não me deixe, não vá embora, Esperança! Ai, meu Deus, minha Esperança está morta. A centelha da minha vida se apagou”. (MENROD, p. 64)

Quanto à sinopse da novela Memória da Pele é contado sobre uma presidiária chamada Ercília Cruz que deu a luz ao filho na penitenciária e por não ter família o bebê ao completar dois anos de idade foi entregue para adoção. A única lembrança que Ercília tem do filho é uma tatuagem dele no braço e ao sair da prisão ela lutará para reencontrar o filho. Ao reencontrá-lo o filho se tornou um ambicioso, metido a Bom Vivant, e Ercília Cruz irá trabalhar na casa dele como doméstica, sem revelar sua identidade, receando ser rejeitada pelo mesmo. Nessa sinopse também é contado sobre a origem da personagem central, nascida em Sergipe, que perdeu a família num acidente de ônibus, passando a morar na rua, as dificuldades que sofreu, morando depois num quartinho com um rapaz lavador de carros até engravidar dele e se envolverem com tráfico de entorpecentes.


Já a obra lições de missionariedade é de autoria de Natham Benson e foi traduzida por Antonio Menrod. Trata-se de um livro com ensinamentos cristãos repleto de passagens bíblicas fundamentadas na doutrina do Catolicismo, comentários do autor abaixo das passagens bíblicas, bem como frases de autores clássicos e filósofos como São Tomás de Aquino, George Sand, Mahatma Gandhi, entre outros.

Para conhecer um pouco mais sobre esse autor acesse a postagem Antonio Menrod: "Um autor do nosso tempo" do presente blog que está neste link http://literaturasergipana.blogspot.com.br/2015/01/antonio-menrod-um-autor-do-nosso-tempo.html e também o blog do próprio autor neste outro link http://oratorioantoniomenrod.blogspot.com.br/.



REFERÊNCIAS:

MENROD, Antônio. Concepções de uma imaginação. Rio de Janeiro. Quártica Editora, 2015.

MENROD, Antônio. Lições de Missionariedade. Rio de Janeiro. Quártica Editora, 2015.

NOITE DE LANÇAMENTO DO LIVRO “SEM MAIORES PRETENSÕES”

Em 20 de julho deste ano (2018) às 19h na biblioteca da UNIT, localizada no Shopping Prêmio em Aracaju/SE, ocorreu o lançamento do livro...