domingo, 1 de novembro de 2015

STEPHANE LOUREIRO



Por: Allan de Oliveira.
allantbo@hotmail.com

Stephane Gonçalves Loureiro nasceu em 01 de novembro de 1987 em Aracaju, sendo filha de Maria Lúcia de Souza Gonçalves e Ricardo Loureiro Pereira. Tem como profissões a de advogada, consultora jurídica, e jornalista. Nas horas vagas escreve poemas e prosa. É influenciada pela doutrina espírita e pelo regionalismo. Graduada em Direito pela UNIT (Universidade Tiradentes), contribui como colunista e diretora jurídica no Jornal O Povão (http://www.jornalpovao.com.br/) e também escreve poemas em seu blog: http://spleenbyster.blogspot.com.br.

Recentemente lançou o Romance Dor e Redenção cuja estória está focada no perdão como forma de recomeço para a vida humana. No entanto, o livro mostra, além disso. Trata-se de um Romance Espírita cujo enredo conta a história de um casal de advogados, Luciano e Lígia, e o cenário é o próprio Estado de Sergipe. O advogado morre num acidente automobilístico e a narração, a princípio, não é feita de forma cronológica, mas com o uso frequente de flashs, para depois tomar a forma linear, estando focado na solidariedade cristã da doutrina kardecista, uma temática inovadora para autores sergipanos.

O ambiente descrito é fascinante, de acordo com a crença espírita estando repleto de pessoas vivas (encarnados) e pessoas mortas (desencarnados) com episódios surpreendentes, mesclando o mundo do além com certo romantismo, visando também o labor dedicado por espíritos de luz que procuram ajudar na evolução espiritual de encarnados e desencarnados, bem como a presença de espíritos maléficos que arquitetam maldades a alguns personagens do livro, alimentados por sentimentos de ódio e de vingança, dando certo clima de suspense à estória. E o desenrolar do Romance conduz a uma aventura surpreendente que leva o leitor a um ambiente imaginário.

 “Enquanto falavam, gemidos pavorosos escapavam do túmulo:

- Me tirem daqui, eu não aguento mais, os vermes estão me consumindo, socorro! – gritava o infeliz, desesperado.

Bruno, diante do olhar estupefato que Luciano dirigia à lápide, falou:

- Não sei se você sabe, mas quem comete suicídio, como é o caso deste pobre coitado aqui, o Ciro, muitas vezes passa ainda um bom tempo, preso ao corpo. No momento do ato tresloucado, os laços que o prendiam ao vínculo corpóreo não foram totalmente desligados, já que não era a hora do seu desencarne”. (LOUREIRO, p. 44)

“Impressionante como as pessoas perdem tanto tempo, agastando-se por dinheiro, status, glamour – estas paixões levianas e infrutíferas – se todos nós acabamos do mesmo modo que nascemos para esta vida: despidos e igualados. Meu Deus, somos iguais em tudo! Apenas diferencia-nos, um dos outros, o conhecimento adquirido, os valores morais, inalienáveis, que carregamos para esta nova condição”. (LOUREIRO, p. 47)

“Ambos entraram no recinto fracamente iluminado. Era um grande salão, onde se via fileiras de cadeiras ocupadas tanto por encarnados, quanto desencarnados. Luciano deteve o olhar, justamente nestes últimos, que ocupavam assentos que não eram visíveis pelos presentes ainda cativos no invólucro corpóreo.

Assim, sentaram-se os dois amigos bem próximos à mesa onde se daria a reunião e observaram a tudo, atentos.

Havia diversos espíritos presentes no grande salão, ultrapassando o número de encarnados no recinto. Uns apresentavam carantonhas horrorosas, cheias de sofrimento. Alguns choravam, outros, profundamente desequilibrados, ainda gritavam de quando em vez, impropérios desesperados – ao que eram prontamente acalmados pelos colaboradores do local”. (LOUREIRO, p. 53)

“- Eu procurei, por meio de diversas contrariedades e decepções, enfraquecê-lo fisicamente e emocionalmente. O que não foi difícil, porque ele, de qualquer modo, levava uma vida de desregramentos físicos e morais. Nunca dera grande importância à saúde. Aos poucos e continuamente, minei suas defesas psicológicas, assoberbando-o de contrariedades diversas. Passei a assumir o controle da sua vida, por assim dizer, concorrendo para todos os seus objetivos fracassassem. Então, a amargura do dia-a-dia, o desgaste físico dos seus excessos de álcool e fumo e o meu constante e sutil assédio deletério, influenciando-o psiquicamente, enfraqueceram seu organismo de tal modo, e em específico o sistema cardiovascular, ao ponto de provocar em Dietrich um infarto fulminante, o que o fez desencarnar prematuramente! Ele permanecera ainda por longo período preso ao corpo físico, acompanhando sua decomposição”. (LOUREIRO, p. 174 e seg.)

Além disso, no livro também está contida certa denúncia referente ao preconceito em relação às diferenças sociais, buscando mostrar a luta do bem contra o mal. E a autora mesma revela:

“Nunca pretendi que as minhas palavras fossem verdades absolutas em nada. Todavia, tenho desejado ardentemente, em cada um dos meus dias, que as minhas palavras falem a minha verdade e que ela seja de algum modo ouvida e toque o coração das pessoas. E que essa verdade singela, transmita a delicada mensagem do amor, da esperança, da fé no futuro e, sobretudo, do perdão”. (Nota da autora)

Em o jornal O Povão Nº 652 de julho de 2015, a autora diz:

“Quando escrevi “Dor e Redenção”, em meados do ano de 2010, minha primeira empreitada séria no mundo da prosa literária – ainda que, desde muito jovem, tenha me dedicado com afinco ao universo da poesia – procurei aproximar a ficção politicamente incorreta, do sério dilema multimilenar enfrentado pelo ser humano de todos os séculos: o grave desafio do perdão libertador – aquele que alija o espírito sobrecarregado do peso inútil da amargura. O único remédio capaz de liberar o homem para o recomeço e a verdadeira reforma íntima.
De modo que, a publicação deste Romance representa a concretização da minha missão pessoal de fazer das palavras instrumento de auxílio ao próximo e do desejo de quem dedicou-se uma vida inteira ao ofício das palavras, nessa dura saga de colocar os sentimentos no papel (de uma forma ou de outra).
Ainda que não se trate de uma obra autobiográfica – afinal, romance é necessariamente ficção – e sem qualquer intenção de que as ideias delineadas no livro sejam fieis reproduções de qualquer conceito filosófico ou religioso, tenho certeza de que não há como não identificar-se com o drama dos personagens centrais. Afinal, o perdão é universal”.

Quanto aos seus poemas, a autora afirma ter sido influenciada na juventude pela poetisa da Amazônia, Violeta Branca. Começando a escrever poemas aos 11 anos.

O ANIMAL

Com o tempo, o coração se acostuma.
Sobram teorias, lembranças, vestígios.
A velha música exaustivamente repetida,
Deixa de fazer tanto sentido.

O peito não dispara quando toca o telefone
A memória do rosto se desfaz aos poucos.
Esquecem-se promessas.

O cheiro não resiste mais, insolente, na pele.
A cama, desfeita, deixa de ser apenas um lugar vazio.
Lágrimas, de quando em vez, escorrem, sem desespero.

Sem razão, passa-se a olhar em volta.
Outros sorrisos preenchem todos os espaços.
Outros corpos pesam sobre o meu.
Outras carícias despertam o animal.

Repentinamente, desejos são satisfeitos.
Álcool, calor e barulho.
Desvairos alheios e encantadoras incertezas.

Loucura, seduzir convém.
Vazio, esquecer convém.

Olhos fechados.
Silêncio por dentro de tudo.
Não é preciso pensar.

POEMA XXI

Preciso esquecer-me de mim.
Preciso ausentar-me deste peito devastado.
Ando demasiadamente cansado.
Onde, Deus, estará o alento?
É-me possível vencer a dor e camuflar
Esta cicatriz sanguinolenta?

Sim, preciso ser um pouco menos egoísta.
Quem sou para queixar-me de minhas dores
Se tantos outros infelizes do mundo
Ocultam suas feridas e choram copiosamente
Calados?

Deus, arranca-me das garras do egoísmo!
Esta chaga horrenda ostentada pela humanidade,
Mouca encegueirada,
Quando tantas mães anônimas, desesperançadas,
Ouvem impotentes os gritos incontidos de seus famintos infantes!

Devo vestir minha armadura
Empunhar a espada da coragem
E extirpar o desalento
Do seio do mundo.

O único modo de aplacar a dor
Dos sonhos perdidos
É amando aqueles a que Deus
Concedeu provas bem maiores.

É preciso amparar os desgraçados do mundo!
Eis o único modo de obter a felicidade.

Preciso fechar os olhos às minhas amarguras.
Há outros que precisam muito mais que eu
De piedade.

Ster Loureiro
(20/10/08)


OBRA:

Dor e Redenção (2015)


REFERÊNCIAS:

LOUREIRO, Stephane. Dor e Redenção. Aracaju, Infographics, 2015.

http://spleenbyster.blogspot.com.br/. Acesso em: 26 de ago. de 2015.


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