sexta-feira, 12 de julho de 2013

TOBIAS BARRETO: “O intelectual sergipano de maior repercussão no Brasil”

Por: Allan de Oliveira.
Contato: allantbo@hotmail.com




Tobias Barreto de Menezes nasceu em 7 de junho de 1839, na Vila de Campos, e atual cidade que leva o seu nome. Foi filho do escrivão e alferes, o Sr. Pedro Barreto de Menezes, e de Dona Emereciana Maria de Jesus.

Tobias Barreto foi considerado orador, crítico, polemista, filósofo e músico; e um dos criadores do movimento Romântico Condoreiro, do qual muitos atribuem o mérito a Castro Alves, além de ser um dos patronos da Academia Brasileira de Letras. Cursou Direito ao lado de Sílvio Romero, Fausto Cardoso, Pedro de Calasans e Castro Alves. Foi curador de órfãos e africanos escravizados, tendo vários discípulos, sendo considerado um grande orador do povo e deputado pelo Partido Liberal. Sua alfabetização fora adquirida na cidade da qual nascera, estudando latim no município de Estância e Lagarto, e aos quinze anos concluíra o curso.

Com o imenso conhecimento em latim que esse grande homem passou a adquirir, concorreu a uma vaga de professor substituto para lecionar a disciplina em qualquer lugar da província de Sergipe. Mas para sua grande infelicidade não conseguira.

Na época em que estudou Direito na Faculdade do Recife, concorreu a dois concursos para exercer a atividade docente de Latim e Filosofia, sendo aprovado nos dois. Porém, não conseguiu exercer o cargo por falta de apadrinhamento. E para se manter dava aulas particulares.

O grande talento de Tobias Barreto rivalizou o de Castro Alves e o de Vitoriano Palhares (poeta pernambucano). Chegou a publicar artigos em vários jornais do Recife como A Regeneração, O Vesúvio, Correio Pernambucano, colocando neles suas ideias religiosas e filosóficas. Já nos jornais O Liberal e O Americano, o renomado escritor assumiu ideias republicanas e abolicionistas e em seus poemas estava inflamada a vontade de luta e esperanças para povo.

Teve como profissão além de professor da área de Letras, a de advogado e a de juiz municipal substituto. E o contato que tivera com todas essas profissões, bem como as experiências nos jornais dos quais participara o ajudou a criar seu próprio jornal, Um Sinal dos Tempos.

O primeiro livro publicado por Tobias Barreto é Ensaios e Estudos de Filosofia e Crítica (1875) que reunia artigos do autor antes publicados nos jornais. As ideias de Tobias Barreto são consideradas avançadas para sua época devido às influências alemãs, e buscavam que o Brasil fizesse parte do movimento intelectual alemão, o que mostra seu caráter romântico de adoração à pátria.

Tobias Barreto também criou ideias de condenação ao preconceito, ideias em defesa da mulher, propondo um projeto para a criação do Partenogócio do Recife, uma escola de Ensino Superior e profissionalizante, somente, para mulheres. Seu projeto não foi aceito na Assembleia e isso resultou na sua não reeleição para deputado, conseguindo ingressar no ramo político como vereador, mas sem exercê-lo, sendo depois nomeado Juiz Municipal Substituto na cidade de Escada (Pernambuco).

Certa vez tentou libertar os escravos das terras do sogro, episódio que o fez se envolver em questões judiciais com os herdeiros do familiar, tendo como consequência a casa cercada, sendo agredido a ponto de morrer. Após esse episódio, publicou no ano de 1881 o livro de poesias Dias e Noites.

A formação intelectual de Tobias Barreto e insultos referentes à sua pessoa acarretaram motivos para que os jovens pernambucanos da época resistissem contra as autoridades, por ter sido admirado pelos mesmos, que acolhiam suas ideias inovadoras. Esses jovens eram indivíduos com ideias socialistas, republicanas, abolicionistas, e democratas. Fatos que ocorreram na época em que Tobias Barreto era mestre na Faculdade de Direito do Recife. Assim, ele passou a ser lembrado como um agitador das massas do Recife, e considerado “O Poeta do Povo”.


Tobias Barreto faleceu em 27 de junho de 1889 em Recife, por problemas de saúde e na miséria, sendo socorrido por seus alunos e pelo povo, deixando a esposa viúva e sua grande prole composta por nove filhos.


O GÊNIO DA HUMANIDADE

Sou eu quem assiste às lutas,
Que dentro d’alma se dão,
Quem sonda todas as grutas
Profundas do coração:
Quis ver dos céus o segredo;
Rebelde, sobre um rochedo
Cravado, fui Prometeu;
Tive sede do infinito,
Gênio, feliz ou maldito,
A Humanidade sou eu.

Ergo o braço, aceno aos ares,
E o céu se azulando vai;
Estendo a mão sobre os mares,
E os mares dizem: “passai!…”
Satisfazendo ao anelo
Do bom, do grande e do belo,
Todas as formas tomei:
Com Homero fui poeta,
Com Isaías profeta,
Com Alexandre fui rei.

Ouvi-me: venho de longe,
Sou guerreiro e sou pastor;
As minhas barbas de monge
Têm seis mil anos de dor:
Entrei por todas as portas
Das grandes cidades mortas,
Aos bafos do meu corcel,
E ainda sinto os ressábios
Dos beijos que dei nos lábios
Da prostituta Babel.

E vi Pentápolis nua,
Que não corava de mim,
Dizendo ao sol: “eu sou tua,
Beija-me… queima-me assim!”
E dentro havia risadas
De cinco irmãs abraçadas
Em voluptuoso furor…
Ânsias de febre e loucura,
Chiando em polpas de alvura,
Lábios em brasas de amor!…

Travei-me em lutas imensas;
Por vezes, cansado e nu,
Gritei ao céu: “em que pensas?”
Ao mar: “de que choras tu?”
Caminho… e tudo o que faço
Derramo sobre o regaço
Da história, que é minha irmã:
Chamam-me Byron ou Goethe,
Na fronte do meu ginete
Brilha a estrela da manhã.

E no meu canto solene
Vibra a ira do Senhor:
Na vida, nesse perene
Crepúsculo interior,
O ímpio diz: “anoitece!”
O justo diz: “amanhece!”
Vão ambos na sua fé!…
E às tempestades que abalam
As crenças d’alma, que estalam,
Só eu resisto de pé!…

De Deus ao sutil ouvido
Eu sou como que um tropel,
E a natureza um ruído
Das abelhas com seu mel,
Das flores com seu orvalho,
Dos moços com seu trabalho
De santa e nobre ambição,
De pensamentos que voam,
De gritos d’alma, que ecoam
No fundo do coração!…

(1866)
                    
Obras:

Filosofia:

Suas obras completas publicadas pelo Instituto Nacional do Livro:

* Ensaios e estudos de filosofia e crítica (1875)

* Brasilien, wie es ist (1876)

* Ensaio de pré-história da literatura alemã, Filosofia e crítica, Estudos alemães (1879)

* Menores e loucos (1884)

* Discursos (1887)

* Polêmicas (1901)



Literatura:

* Dias e Noites (1881) [Livro de poemas]


REFERÊNCIAS:

BARRETO, Luiz Antonio. Crítica de Literatura e Arte: Edição Comemorativa / Tobias Barreto. Ed. Record. Ministério da Cultura. 1990.

LIMA, Jackson da Silva. História da Literatura Sergipana. Vol. II. Fase Romântica. Aracaju, Fundesc, 1986.

Tobias Barreto – Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tobias_Barreto>. Acesso em: 12 de jul. de 2013.



Nenhum comentário:

Postar um comentário