segunda-feira, 1 de agosto de 2016

ARARIPE COUTINHO: “Um escritor polêmico”.

Fonte da foto: http://infonet.com.br/noticias/ler.asp?id=104302&titulo=cultura

Por: Allan de Oliveira
Contato: allantbo@hotmail.com

Araripe Coutinho nasceu no Rio de Janeiro a 13 de dezembro de 1968, sendo filho de Moacir dos Santos e Maria de Nazaré Coutinho. Em 1979, o poeta veio residir em Aracaju, conseguindo o título de cidadania sergipana concebidos pela Assembleia Legislativa do Estado de Sergipe e Câmara Municipal Clodomir Silva. Estudou o Curso de Letras, mas abandonou e se dedicou ao jornalismo. Foi um dos fundadores do jornal O Capital, juntamente com a jornalista Ilma Fontes, membro da Academia Sergipana de Letras e do Conselho de Cultura Negra de Sergipe.

Araripe Coutinho chegou a conviver com a escritora Hilda Hilst por um bom tempo em São Paulo e escreveu a peça Eu e Ela que fora apresentada no mesmo Estado. Trabalhou em jornais, como diretor da biblioteca pública Clodomir Silva e diretor da Divisão de Memória Cultural da Secretaria de Cultura, apresentador de um programa de TV, além de também ter ministrado oficinas literárias e consultoria para políticos e empresas. Teve colunas no Jornal da Cidade, Gazeta de Sergipe, Correio de Sergipe, e Infonet.

Seu livro Do abismo do tempo foi premiado pela Secretaria de Estado da Cultura com o Prêmio Santo Souza de Poesia em 2007.

No ano de 2011, esse poeta provocou polêmica devido a umas fotos que tirou seminu no Palácio Olímpio Campos, gerando repercussão na internet e também na televisão brasileira.

Sua poesia é lírica com tendência pós-moderna por ser constituída por versos livres numa construção poética variada. Ora é notada sensualidade, ora espiritualismo, ora angústias e lamentos. Viu a beleza que existe em Aracaju em suas crônicas e humanizou a cidade em meio ao caos.

Araripe Coutinho foi considerado um protetor dos jovens e das pessoas excluídas pela sociedade. Ele faleceu no dia 09 de dezembro de 2014, vítima de enfarte em sua residência.


LIVROS PUBLICADOS¹:

* Amor sem Rosto (1989)
* Asas da Agonia (1981)
* Sede no Escuro (1994)
* Passarador (1997)
* Sal das Tempestades (1999)
* O Demônio que é o Amor (2002)
* Como Alguém que Nunca Esteve Aqui (2005)
* Do Abismo do Tempo (2006)
* Nenhum Coração (2008)
* O Sofrimento da Luz (2009)
* Obra Poética Reunida (2010)

II

Vem, chama-me pelo nome.
Mas vem.
Os portões tão altos de um
Ferrugem de amor (já calcinado).
Vejo Deus na folhagem e é o teu rosto
Teu tórax, teu riso
(quase uma hóstia de fogo me queimando).
Estas tardes todas um incêndio
Algo quebrando as cristaleiras.
O vento rindo e pondo poeira
Nas coisas. Estas tardes todas têm
Sido de espera e furto de Deus.
Tento tocar o que não me foi dado.
Chamo Deus. Grito: Acode-me!
Mas é tu que apareces
E a oração é adaga, desventura, morte.

Vem, amor feito de falo
Mudez – vária. Não descobri
Fome. Desse presságio
Desse demônio
Arcano-vário.

Eu rondo o desamparo.
Preparo os tachos
Dentro deles a imerecida carne.

Sendo vosso o amor
Me despedaço.

In: O Demônio que é o amor.


QUERO DIZER QUE APRENDI MORRENDO

Quero dizer que aprendi morrendo
E que o púrpura-jade
Do teu casaco quase
Empenha o meu vazio de afeto.

Recebe de mim
Aquilo que conduz o nada
Conhecida que sou
Em juntar teus trapos

Para só depois sim
Amarrar o cadarço
Da nossa desolação.

In: Do Abismo do Tempo.


ENTREGA-TE COMO QUEM VAI MORRER...

Entrega-te como quem vai morrer.
E não te distanciarás
Do átrio onde um dia
Viveste o teu triunfo.
A tua morte apenas um pretexto
De não amar. Incansável corpo
Que te visita exausto.
Enfrenta o dentro corroído,
O que não deixa. Devora
E vai construindo ilhas
Como quem passeia por uma
Casa de pássaros. Norteia.
E passa como quem não tem
Mais medo. Estertor redobrado
De agonia.

In: Do Abismo do Tempo.


ABSTENHO-ME

Abstenho-me do soco
Mas ele vem, independentemente
Se me toca o rosto.

A fera do mundo
Enjaula a leveza

E o medo.

Enquanto solto o tigre
Devoras-me.
Ardor de infâncias.

Fatal foi não ter nascido
Adulto.

In: Do Abismo do Tempo.


ARCANO UM

O mundo é semi-réptil
Repetitivo e cáustico.
Quando a criança se agacha
Pega deus com os olhos
E chacoalha o seu destino de porco
E deus nem se importa.
A inocência mata.
Herberto Hélder diz
Que é a delicadeza.
Na casa sem portas
Deus está num ardor
Vendo os homens
Incensando o seu poder
De pai.

O mundo é insensato e absurdo.

Arquiteto de tudo Deus inventou o
Homem:

Uma tarântula movida
Pela fome.

In: Do Abismo do Tempo.

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¹ De acordo com o que foi pesquisado há uma dúvida com relação ao número de livros publicados, totalizando 11 obras. Neste site http://brasil.revistadelosjaivas.com/index.php/81-o-boemio/general/140-araripe-coutinho-retrato-de-um-artista-multiplo é mostrado que Araripe Coutinho publicou 13 obras poéticas. Caso algum leitor do blog tenha a informação verdadeira irá ajudar muito o desenvolvimento deste blog e socialização da informação. Agradecemos se houver alguém disposto a ajudar. (Nota do editor do blog)


REFERÊNCIAS:

Araripe Coutinho. Disponível em: <http://estoudeolhoemtudo.blogspot.com.br/2012/07/araripe-coutinho-nasceu-no-rio-de.html>. Acesso em: 14 de dez. de 2014.

ARARIPE COUTINHO. Disponível em: <http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_brasis/sergipe/araripe_coutinho.html>. Acesso em: 05 de jan. de 2015.

Araripe Coutinho lança coletânea na OAB. Disponível em: <http://www.infonet.com.br/cultura/ler.asp?id=96558>. Acesso em: 08 de jan. de 2015.

Araripe Coutinho lança Do Abismo do Tempo na AMA. Disponível em: <http://www.infonet.com.br/Cultura/ler.asp?id=50955&titulo=noticias>. Acesso em: 09 de jan. de 2015.

ARARIPE COUTINHO, RETRATO DE UM ARTISTA MÚLTIPLO. Por Eduardo Waack. Disponível em: <http://brasil.revistadelosjaivas.com/index.php/81-o-boemio/general/140-araripe-coutinho-retrato-de-um-artista-multiplo>. Acesso em: 14 de dez. de 2014.

BRASIL, Assis. A Poesia Sergipana no Século XX. Rio de Janeiro. Imago Editora, 1998.
COUTINHO, Araripe. O demônio que é o amor. Sergipe. Editora Sercore, 2002.

COUTINHO, Araripe. Do abismo do tempo. Sergipe. Editora Sercore, 2006.

NOITE DE LANÇAMENTO DO LIVRO “SEM MAIORES PRETENSÕES”

Em 20 de julho deste ano (2018) às 19h na biblioteca da UNIT, localizada no Shopping Prêmio em Aracaju/SE, ocorreu o lançamento do livro...